Fazia um tempo que eu não era acarinhado pelas ondas maravilhosas do Itararé.
Com a previsão de um pequeno swell de sul, fiquei na cama indeciso sobre se cairia de 8 pés ou de longboard.
O calor ajudava a aumentar a dúvida, posto que me decidia e rolava de um lado para o outro na cama - e a cada lado, uma mudança de idéia.
8 pés... longboard... lado direito, enxuga o suor que o ventilador não vingava secar...
Tudo bem, longboard hoje - amanhã o swell aumenta, vou dar umas rasgadas de 8 pés.
Saí de casa 5:50 da manhã... escuro ainda, mas calor, muito calor.
Pedalando na ciclovia e olhando o que esses diuas de folia representaram para a cidade, principalmente para o jardim da orla da praia - orgulho da Cidade e o maior do mundo, via Guiness: destruição, sujeira...
Excessos: 6 da manhã e gente ouvindo forró no último volume, munidas de latas de cerveja, falando alto, pisando na grama, andando na ciclovia como se andassem na sala de suas casas. Uma cena lamentável que se repete à cada ano, e com um agravante: cada vez com mais e mais gente.
Engraçado: quando vou para SP (ou qualquer outra cidade que não a minha) me porto com mais educação ainda. Procuro respeitar as leis escritas e não-escritas e... mas bem, deixemos isso de lado.
Passei pelo Quebra- Mar e paquerei uma direita que quebrava mansamente. Mas só paquerei, não namorei não. Decidido que estava (estou) a respirar outros ares, surfar outras ondas e rever emoções que vivi sozinho no Itararé, cedinho. Nostalgia batendo como uma onda... no Quebra Mar.
Divisa... uma esquerda abriu e sorriu. Retribuí com o desejo de possuí-la. Mas não o fiz. Fui mais além. E na Feiticeira me joguei.
Um metro beirando a perfeição, com um terral suave, que as vezes até atrapalhava - quando ficava mais forte. Mas diversão garantida.
Chega alguém para dividir o line up... me cumprimenta pela onda boa que desci. Chega mais um. Chega outro. Chega o Rubinho, chega o William, me saúdam - "tá cabeludo hein muleque... chatinho nesse longboard... tem onda no Quebra Mar não?" (coisa de surfista egoísta, se fosse de verdade, claro...)
Enfim... me diverti. O sorriso volta para meus lábios, eu volto pra lojinha com a bateria carregada, senso de dever cumprido e na cabeça uma certeza:
Amanhã tem mais...

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