Ouvir o silêncio do mar em toda a sua magnitude tem sido parte essencial da minha vida há algum tempo. Um ritual.
Acordar às 5 da manhã, verificar a direção do vento (e aproveitar para respirar a brisa da manhã), tomar um cafezinho frugal, decidir qual será a trilha sonora que me acompanhará até chegar ao Quebra-Mar. Descer com a bicicleta, a prancha, cordinha...
Pedalar.
Olhar para o céu - ainda escuro - e sentir um gostinho de solidão. Olhar para as pessoas - apressadas, indo em busca do sustento, tomando ônibus fretados que insistem em não esperá-las e trafegar com os faróis altos ligados.
O burburinho do dia começa. Peruas Kombi entregam os jornais nas bancas, viciados perambulam pelas ruas do BNH em busca da última (ou seria primeira?) dose do dia.
Vou pela ciclovia. Eric Clapton me acompanha nesse dia. Seus acordes moldam meu humor.
Olho para o mar porque o dia já começa a clarear. Já vislumbro uma ondinha ali, solitária, como a me desejar bom dia. Retribuo seu cumprimento com um sorriso.
Não há tantos carros assim na avenida da praia. Alguns clientes nos quiosques. Algumas pessoas correndo na areia, outras no calçadão. Outras correndo em busca de algo inatingível. O que é que buscam?
Pedalo mais rápido, corro também. Eric Clapton começa a cantar:
"Oh what a feeling I get when Im with you
You take my heart into everything you do
And it makes me sad for the lonely people
I walked that road for so long
Now I know that Im one of the lucky people
Your love is making me strong"
Chego ao Quebra Mar.
É hora de mostrar meu amor pelo mar.
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