“Era o clímax de nosso tempo. Ficávamos felizes quando o Maestro entrava na água e remava diretamente para aquele local [em frente ao prédio preto]...cumprimentando a todos e se posicionava... De repente, remava em uma onda enorme e descia reto, como se estivesse esperando a espuma branca alcançá-lo, o que sabíamos ser quase impossível
Ele era mais rápido que a onda. Virava arqueado para frente e acertava a crista da onda com uma vontade só vista em filmes. Depois colocava a prancha no trilho e, cruzando os pés como um rei havaiano, ia até o bico da prancha. Ainda lembro dos gritos de todos ao ver aquilo.
A orquestra do Maestro continua a ensaiar toda vez que tem onda no Posto 2. Ele continua a andar como um rei na prancha. Continua mais rápido que ninguém algum dia poderia pensar em ser..."
Trecho extraído do texto "Dias Cinzentos", de Jair Bortoletto
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